O
PARADIGMA EPISTEMOLÓGICO E O AMBIENTE DE APRENDIZAGEM LOGO
Cleci Maraschin
Rosane Aragon
de Nevado
Desde a sua constituição,
em 1973, o LEC optou por realizar estudos cognitivos na orientação
da epistemologia da Psicologia Genética. Os primeiros estudos
dirigiram as investigações para uma abordagem claramente
qualitativa a partir de hipóteses epistemológicas. Tais
hipóteses são interacionistas, pois referem a formação
do conhecimento às contribuições do sujeito e às
contribuições do ambiente, e são também
construtivistas quanto aos mecanismos que regem esta formação.
Sob esta perspectiva epistemológica
podemos caracterizar um segundo momento dos estudos do LEC no qual buscou-se
especificar as trocas entre a cognição do sujeito e os
novos recursos informaticos que possam vir a explicitar o funcionamento
cognitivo e ajudar seu desenvolvimento. A partir de 1980, as experimentações
realizadas apresentam aspectos que as diferenciam dos processos experimentais
tradicionais. A experiência é uma condição
necessãria do saber porém não é uma condição
suficiente, sendo preciso combiná-la com outros procedimentos.
A interpretação desta experiência não se
reduz sobre a base do modelo empírico, já que ela nunca
se esgota a uma simples leitura, pois contém uma parte de estruturação
que intervém nas atividades do experimentador e nas interpretações
dos dados aparentemente mais imediatos. Nela é fundamental e
imprescidível o uso de modelos lógicos. A pesquisa no
LEC dentro das hipóteses psicogenéticas, revela a questão
da compreensão dos processos, buscando sua gênese nas formas
sucessivas de raciocínio, nos mecanismos causais, na perspectiva
de uma análise interpretativa das condutas o que só é
possível dentro de uma abordagem qualitativa, ainda que complementada,
em determinados aspectos por quantificações.
A investigação
das possibilidades de aprendizagem em relação às
condições oferecidas pelo ambiente passou a ser uma questão
fundamental dos estudos. Por condições do ambiente passamos
a estudar: o paradigma de aprendizagem que embasava o ambiente, os métodos
e as intervenções do professor e os recursos disponíveis
no ambiente. Após estes estudos, podemos explicitar estes elementos,
bem como definir seu papel dentro do ambiente de aprendizagem.
1. O Paradigma da Epistemologia
Genética
A formação
de biólogo e o interesse pela filosofia levaram Piaget a trabalhar
na interseção entre estas duas áreas de conhecimento.
Todo seu trabalho seguiu na direção de tratar o problema
tradicional da filosofia - o problema do conhecimento - através
de uma metodologia científica.
Piaget fundamenta seu estudo
científico a partir de três vertentes: a dimensão
biológica, a interação dos fatores sujeito-meio
e o construtivismo psicogenético (Inhelder, 1977). Estas vertentes
se coordenam dentro de sua estrutura teórica. Tentaremos explorar
cada uma delas tendo consciência da dificuldade desta análise,
já que estas vertentes se integram no corpo da teoria psicogenética
.
1.1 As raízes biológicas
A tese fundamental de Piaget
é a da continuidade funcional entre a vida e o pensamento. Isto
o leva a postular uma profunda analogia entre as concepções
psicológicas e biológicas.
"... as funções
mais gerais do organismo, organização, adaptação
e assimilação, conservação e antecipação,
regulação e equilibração são encontradas
todas no terreno cognoscitivo, e têm aí o mesmo papel essencial
... reciprocamente, os caracteres essenciais do conhecimento apresentam
correspondentes orgânicos evidentes." (Piaget, 1973).
Embora esta analogia profunda,
Piaget nunca perde de vista o fato de que os seres humanos são
biologicamente evoluídos não propondo, sob nenhuma hipótese,
um reducionismo do psicológico ao biológico.
Para Piaget, toda a vida
pressupõe uma forma de organização. Mesmo as formas
de vida menos evoluídas possuem uma organização
que lhes permite fazer trocas com o meio (auto-regulações),
garantindo assim sua sobrevivência. No ponto de partida do desenvolvimento
do ser humano, existem interações herdáveis entre
o organismo e seu meio ambiente. O ponto crucial da passagem destas
primeiras interações às seguintes, em termos biológicos,
é a morfogênese. Para Boden (1983) foi a partir da leitura
de Waddington que Piaget pode descrever mais claramente, o mecanismo
biológico mediante o qual o desenvolvimento se processa.
Waddington, diferentemente
de Darwin, atribui um significado não só ao genótipo
(informação genética armazenada) e ao ambiente,
mas também ao fenótipo (forma observável do organismo,
sua morfologia e padrões de conduta). Para Waddington, o genótipo
é suficientemente flexível em seu potencial de desenvolvimento
para permitir um certo número de fenótipos morfológica
e comportalmente diferentes. Qual deles desenvolverá depende
das relações recíprocas entre o organismo e o meio.
Mas a flexibilidade do genótipo encontra limites no que o autor
postulou de "creodos" ou "trajetos necessários" dados pela epigênese.
Assim, dada uma diferenciação inicial, o organismo não
pode retornar ao ponto de partida. Como por exemplo Hubel e Wiesel ,
mostraram que os neurônios do córtex visual de gatos privados
da experiência sensorial durante um período sensível
(até 8 semanas após o nascimento), não são
capazes de detectar as características do sinal. Estes neurônios
não apresentam mais sua esapecificidade e respondem indiferentemente
aos estímulos. A especificidade dos neurônios do córtex
visual serão inscritos ao nascimento e necessitarão da
experiência visual durante o período sensível para
tornarem-se eficientes. De fato, embora uma privação sensorial
do mesmo tipo seja imposta a um animal adulto, ela não causa
nenhum efeito observável, nem sobre as estruturas nervosas, nem
sobre a capacidade perceptiva. No nascimento, os neurônios do
córtex visual seriam aespecíficos, eles adquiririam sua
especificidade em função da experiência visual durante
o período sensível.
Para Piaget, a capacidade
de conhecer é fruto das trocas entre o sujeito e o meio. Ela
resulta de um processo de desenvolvimento auto-regulador em múltiplos
níveis, o qual integra as perturbações ambientais
numa seqüência ordenada de mudanças estruturadas no
desenvolvimento. O elemento que assegura a continuidade entre as formas
biológicas e as formas de pensamento é a ação.
A ação é a manifestação externa das
formas que adota a organização e é, ao mesmo tempo,
o instrumento através do qual o organismo humano entra em contato
com o mundo e diferencia-se dele.
1.2 A interação
sujeito-meio
O conhecimento é uma
relação de interdependência entre o sujeito e seu
meio. Para Piaget, o conhecimento, diferentemente do senso comum, tem
um sentido de organização, estruturação
e explicação a partir do experenciado. Nesta concepção
o conhecimento é construído a partir da ação
do sujeito sobre o objeto de conhecimento.
A ação comporta
dois aspectos. Um aspecto circunstancial característico à
situação, uma vez que para que a ação do
sujeito seja ajustada, necessita levar em conta as propriedades dos
objetos; e um aspecto generalizável, já que nenhuma ação
é totalmente diferente das ações possíveis
de um organismo em determinado momento de sua vida. Para Piaget, do
ponto de vista do conhecimento, é importante o que é em
cada ação transponível e generalizável,
isto é, seu esquema. As ações, enquanto esquemas,
conservam uma organização interna cada vez que aparecem.
O sujeito atribui significado ao objeto cada vez que o assimila a seus
esquemas.
Se o conhecimento é,
no princípio, a própria ação do sujeito,
o que é o objeto do conhecimento? Ramozzi- Chiarottino (1988)
responde que o objeto de conhecimento é tudo que envolve o sujeito,
é o meio físico, o meio simbólico e o meio social.
Desta forma, um sujeito humano realiza trocas de diferentes qualidades
com seu meio.
Sujeito e meio formam juntos
um sistema. O meio, ou o objeto existem, independentes do sujeito, mas
não podem ser conhecidos senão por aproximações
através da atividade física ou simbólica do sujeito.
Estas aproximações podem provocar modificações,
da estrutura cognitiva do sujeito (tanto em nível de pensamento
como na ação). O processo cognitivo é caracterizado
então como uma reequilibração, por reconstrução
endógena, e um ultrapassamento graças a uma reorganização
com novas combinações a partir dos elementos retirados
do sistema anterior, podendo ser expresso em termos de abstração
reflexiva. Piaget distingue abstração empírica
da reflexiva. A primeira, tira do objeto suas propriedades pertinentes
a um conhecimento particular, rejeitando aquelas que não o são,
extrai portanto, suas informações através da leitura
dos observáveis. Em contrapartida, a abstração
reflexiva tira suas informações das coordenaçÆes
das ações que o sujeito exerce sobre os objetos.
Ainda que a interação
sujeito-meio seja um conceito central na obra de Piaget, é nas
últimas décadas que os estudiosos da psicologia genética
dedicam-se ao problema da influência do meio social na construção
e na transimssão dos conhecimentos.
Neste campo estão
sendo desenvolvidos estudos que tratam da influência da interação
social em sentido restrito e em sentido amplo.
O estudo das influências
da interação social em sentido restrito, investiga as
modificaçÆes tanto conceituais quanto estruturais de conhecimento
ocorridas na interação de adultos com crianças,
de crianças com iguais ou diferentes níveis de conhecimentos,
etc em sala de aula ou em diferentes ambientes de aprendizagem.
Dentro deste enfoque, Perret-Clermont
(1978), coloca que existem, basicamente, duas concepções
em confronto quanto se trata do papel das trocas sociais na cognição
(sentido estrito). A primeira, denominada "aprendizagem social" explica
as aquisições das condutas por parte do sujeito, por intemédio
de processos de imitação ("modeling effect"); e, por outro
lado, as teorias do processo de equilibração que consideram
toda a alteração cognitiva advinda de um processo de reestruturação
("equilibration model").
Os pesquisadores que estudam
as influências sociais, em sentido amplo, sobre o desenvolvimento
do conhecimento enfocam a cultura, e principalmente, a classe social
na qual o sujeito vive em relação às outras classes
e à ideologia dominante. Segundo Carraher (1989), existem diferentes
explicações para dar conta das diferenças no desenvolvimento
cognitivo encontradas quando se compara sujeitos de diferentes classes
sociais numa mensma sociedade. A primeira delas enfatiza o indivíduo
em termos de "privação cultural". A segunda, tenta focalizar
aspectos sociais como a instituição escolar, a estrutura
social, a ideologia, a contracultura como forma de resistência
à ideologia dominante, etc.
1.3 O construtivismo psicogenético
O construtivismo constitui
uma outra vertente teórica da psicologia genética. A idéia
fundamental é que nenhum conhecimento humano, com exceção
das formas hereditárias elementares, é pré-formado
na estrutura do sujeito nem na do objeto. Desta maneira, nenhum conhecimento
é transmitido mas sim reconstruído, internamente pelo
sujeito. Mas o próprio Piaget coloca que o instrumento da construção
é a ação:
"Para conhecer objetos, o
indivíduo deve agir sobre eles e, portanto, transformá-los,
deve deslocá-los, ligá-los, combiná-los, separá-los,
desmontá-los e voltar a montá-los.
Desde as mais elementares
ações sensório-motoras até as mais refinadas
operações intelectuais, que são ações
internalizadas e executadas mentalmente, o conhecimento estã
constantemente ligado a ações ou operações,
isto é, a transformações." (Piaget, 1982 ).
Existe uma continuidade entre
as ações de nível inferior e superior. Estas ações
ou operações transformam-se durante o desenvolvimento
mas também apresentam patamares de estruturação
diferenciados, num interjogo entre estados (equilíbrios) e transformações
(desequilíbrios). Os níveis sucessivos das diferentes
formas de saber são seqüênciais no sentido de que
cada um é, ao mesmo tempo, o resultado das possibilidades abertas
pelo precedente e condição necessãria do subseqüente.
A continuidade dos níveis pressupõe a reorganização.
Todo nível superior inicia com uma reestruturação
das aquisições devidas aos níveis precedentes,
não se trata aqui de uma continuidade com base cumulativa.
No decorrer do desenvolvimento
o sujeito reorganiza e reconstrói seus esquemas. O esquema é
a unidade bãsica do funcionamento cognitivo. É a combinação
e a coordenação dos esquemas em estruturas que caracteriza
o nível de desenvolvimento cognitivo de um sujeito. Cada uma
destas estruturas possibilita uma maneira de relacionar-se e compreender
a realidade. É a forma de equilíbrio que rege as trocas
do ser humano em meterminado momento e frente a determinado objeto de
conhecimento.
O construtivismo psicogenético
se aproxima do construtivismo biológico (Waddington) pois considera
as seqüências do desenvolvimento reguladas por um mecanismo
de regulação endógena. Cada ser individual necessita
reconstruir o conhecimento. Mas não é uma reconstrução
solitária, pois como já discutimos anteriormente, pressupõe,
como condição necessãrias diferentes qualidades
de interação.
Se o construtivismo significa
que o conhecimento é algo que construímos em nossa cabeça,
para Papert (1987) o construcionismo nos diz que a melhor maneira
de realizar isto é construíndo alguma coisa. Segundo ele,
é na atividade de criação onde ocorre a mobilização
da pessoa em sua totalidade, de seu senso estético, sua consciência
ética, seu raciocínio lógico-matemático,
sua estrutura emocional, etc. Papert nos fala da necessidade que nos
ambientes de aprendizagem sejam colocados à disposição
do sujeito ferramentas para ajudar a aprender, objetos "para pensar
com".
2.
O MÉTODO DE EXPLORAÇÃO CRÍTICA
- A maneira de abordar
as condições de aprendizagem de uma criança (metodologia)
é dependente das
- concepções
epistemológicas adotadas, consciente ou inconscientemente,
pelo professor. A introspecção surge como a primeira
maneira para se compreender a racionalidade humana. A crença
de que a razão poderia voltar-se sobre si mesma e compreender-se
está baseada na hipótese de que a razão é
uma entidade independente do corpo. Foi a partir de um postudado da
razão dependente da experiência (empirismo) que esta
metodologia foi contestada como impregnada de subjetivismo, uma vez
que a razão era moldada pelas influências dos estímulos
do ambiente. Bacon (1620) pensava que a ciência deveria proceder
estritamente por indução, acumulando observação
sobre observação até que os fatos gerais surgissem
dos específicos. A influência do ambiente nas condutas
humanas poderia ser apreendida pelo submetimento de sujeitos a situações
estímulo sendo observado seu comportamento inicial e final
mediante a variações deste estímulo. As mudanças
poderiam ser detectadas através da observação
das freqüências das condutas, bem como da testagem destes
comportamentos. Esta metodologia apresenta o inconveniente de nada
informar sobre o processo de obtenção de uma aprendizagem.
Kant contrapõe-se as idéias anteriores formulando uma
teoria de compromisso entre a experiência e a dotação
inata, desta forma, o conhecimento requer certas capacidades prévias
de organização interna. Foi dentro desta problemática
que Piaget desenvolveu o método de exploração
crítica. Em seus primeiros trabalhos, parte da hipótese
de que existe estreitas ligações entre linguagem e pensamento.
Dedicou-se ao estudo do comportamento verbal da criança esperando
encontrar aí a origem do pensamento lógico- matemático
do adulto. Esta hipótese caracteriza a primeira fase do seu
trabalho iniciada em 1926. Para explorar o desenvolvimento infantil,
iniciava um diálogo no qual esforçava-se para seguir
o pensamento da criança, sem possuir de antemão perguntas
padronizadas, mas sim, a utilização de questões
flexíveis adaptadas ao vocabulário da criança
que buscassem todos os dados necessários para formular um diagnóstico.
A partir das verbalizações da criança formulava
hipóteses sobre a autenticidade e a coerência psicológica
das crenças. Neste período seu objetivo era investigar
as representações dos fenômenos não acessíveis
a uma experimentação (ex. como a criança representa
o movimento dos astros, a origem dos nomes e sonhos). Ele procedia
pela confrontação verbal dos diferentes raciocínios
expressos, na qual procurava a origem de certas representações
ou as razões da substituição de um modo de interpretação
do real em função de outro.(Ihelder et alii, 1977)
Sob a influência de
alguns trabalhos a respeito de uma possível inteligência
prática, Piaget passou a estudar a existência de uma lógica
das ações que estaria implícita no comportamento
da criança e anterior a qualquer lógica transmitida pela
linguagem. Disto ocorre a reformulação de sua metodologia.
A partir de 1936 dedicou-se a observação de seus filhos
construindo um método calcado sobre observações
livres e/ou situações provocadas experimentalmente. As
situações experimentais consistiam em alterações
no ambiente segundo a hipótese a ser verificada. As observações
possibilitam o entendimento do início da construção
do real (ex. permanência do objeto, relações espaciais,
temporais e causais), esclarecendo a relação entre a atividade
do sujeito e a construção das categorias físicas.
Após este segundo
momento, Piaget orienta suas preocupações, de um lado,
para a construção das noções de conservação
de quantidades numéricas, geométricas ou físicas,
de outro lado, para os problemas de classes e relações.
Para realizar estes estudos o método tomou uma dimensão
experimental.Tornou-se necessãrio a utilização
de objetos cuja manipulação propiciasse transformações
(alongar, achatar, compor, decompor, deslocar etc.). Mesmo que a idade
dos sujeitos permitisse o interrogatório exclusivamente verbal,
preferiu-se um procedimento misto, onde a seqüência de respostas
e argumentos mantivessem um estreito vínculo com a ação
da criança sobre o material.
As
indagações foram tornando-se mais sistemáticas,
convertendo-se assim em um instrumento de diagnóstico. O interrogatório
varia de acordo com a natureza dos problemas a serem investigados, se
de ordem lógica ou física. Segundo Inhelder (1977), para
investigar as noções de conservação de peso
e volume a criança tinha a possibilitade de confrontar suas previsões
com a leitura dos resultados experimentais, enquanto que, para as quantificações
lógicas tratava-se de julgamentos, cujo critério de verdade
é a sua coerência. As intervenções do experimentador
podem assumir três formas: de exploração, de justificação
e de contra-argumentação. As primeiras permitem que a
criança interaja com os materiais e possibilitam ao experimentador
levantar hipóteses sobre as noções espontâneas
da criança. O objetivo das perguntas de exploração
é desvendar uma determinada noção de estudo do
experimentador. As intervenção de justificação
visam identificar os argumentos que sustentam as hipóteses da
criança, legitimando seu ponto de vista. As de controle procuram
a coerência ou contradição no pensamento. Como afirma
Vinh-Bang (1970) as intervenções de controle procuram
captar a lógica profunda e a estrutura que mantém uma
certa hipótese.
Se os aspectos de exploração,
justificação e de contra- argumentação forem
desprezados o método perde seu caráter de exploração
crítica, ou seja, perde seu caráter de seqüência
dialética em produção de argumentações
e defesas orientadas até o sistema estrutural .(Castorina et
alii,1984)
Banks-Leite et alii (1987)
apontam características do método a partir da década
de trinta, que podem ser enfocadas sob dois aspectos: o experimental
e o interpretativo. A respeito do primeiro aspecto comentam:
- O uso de material adaptável
sobre o qual a criança pode agir e emitir julgamentos a respeito
das transformações propostas ou ainda, em alguns casos,
organizá-los de acordo com o tipo de problema proposto;
- Um interrogatório
flexível, ou seja, um diálogo no qual o experimentador
dirige-se pelas hipóteses do sujeito. O desencadeamento das
perguntas e respostas dá coerência e unidade ao interrogatório;
- Uma análise qualitativa
dos argumentos das crianças na intenção de obter
uma compreensão dos processos cognitivos que se apresentam
durante o exame, não se restringindo as "performances".
Quanto ao aspecto interpretativo,
os autores referem:
- Em todos os níveis
da abordagem (do interrogatório à análise interpretativa)
há referência ao modelo interpretativo. É o modelo
teórico que possibilita gerar hipóteses e relacionar
os processos cognitivos indicativos da presença de um sistema
de operações, permitindo além da avaliação
do nível de desenvolvimento do sujeito, uma análise
das fases de transição entre os níveis;
- O método permite
ir além da observação pura e da psicometria,
impedindo erros sistemáticos das situações padronizadas
ao mesmo tempo que alcança as vantagens da experimentação.
Segundo
Nevado (1990) para empregar o método clínico o experimentador
necessita de um quadro teórico de referência que possibilita,
durante todo o interrogatório, levantar hipóteses sobre
as condutas observadas ao vivo, deixando-se guiar por estas, sem chegar
a estabelecer normas padronizadas, como nos testes clássicos de
inteligência da psicologia diferencial.
Para Carraher (1983) enquanto
a metodologia tradicional enfatiza o controle pela padronização
de situações externas, o método de exploração
crítica procura voltar-se para a situação psicológica
do sujeito recaindo sua ênfase sobre o processo que o leva a dar
esta ou aquela resposta, as quais podem evidenciar a complexidade do
pensamento da criança.
A experimentação,
conforme o ponto de vista da psicologia experimental tradicional, pode
ser descrita como uma observação rigorosa que procura
reconhecer as variações de uma só característica
(variável dependente) em um grande número de sujeitos.
O método crítico contrapõe-se à experimentação
tradicional já que procura registrar a observação
do maior número possível de variações em
um mesmo indivíduo, centrando a investigação sobre
as condutas espontâneas da criança e sobre aquelas provocadas
em condições sistemáticas constantes com o objetivo
de compreendê-las em suas particularidades.
O emprego do método
de exploração crítica impõe modificações
quanto à formação do experimentador. "O método
clínico constitui de certa forma, um elo de ligação
entre os trabalhos teóricos realizados pela Escola de Genebra
e a aplicação prática desta teoria. Empregá-lo
significa, antes de tudo, adotar uma postura, uma atitude de questionamento
constante face às produções observadas e de busca
incessante dos significados latentes às manifestações
- verbais, gestuais, do comportamento - de cada sujeito" (Banks-Leite
et alii, 1977, p. 122).
3.
O Método de Exploração Crítica e a Criação
de Ambientes de Aprendizagem
A questão que aqui
se coloca é o porque da nossa proposta de utilização
de um método que, originariamente foi concebido para o trabalho
científico, para a criação de ambientes de aprendizagem
para crianças de Educação Especial.
Uma das primeiras justificativas
a este intento é que o método empregado revela a forma
como o professor entende que possa ocorrer a aprendizagem.
Se observarmos a história
das mudanças dos métodos de ensino encontramos com clareza
esta relação. Os métodos receptivos ou de transmissão,
ou conforme Freire ( ) "bancários" entendiam a aprendizagem como
produto dos fatores biológicos e da transmissão social
do conjunto das regras práticas e conhecimentos elaborados coletivamente
e transmitidos de geração em geração. A
transmissão dos conhecimentos jã construídos às
novas gerações era inicialmente verbal, devido aos recursos
disponíveis. Mas o que observamos desde a invenção
da imprensa até os recursos técnológicos atuais
é que muitas vezes eles são usados em ambientes de aprendizagem
mantendo o paradigma tradicional: da transmissão do já
conhecido aos futuros cidadãos.
É o materialismo dialético,
através de Marx, que introduz um novo elemento entre as condiçÆes
biológicas e a transmissão social: ao estudar as condições
da produção deste social coloca a praxis como um elemento
estruturador do conhecimento. É esta mesma praxis social que
define as condições do acesso e da construção
de novos conhecimentos. Os métodos ativos em educação
foram uma decorrência da colocação deste novo elemento
no campo da construção de conhecimentos.
Mas como escreve Piaget (1976)
o uso de métodos ativos não garantia uma coerência
com a teoria por três razões:
- A primeira refere-se
à confusão entre atividade e ações concretas.
Se esta identidade é verdadeira para a criança pequena
ela não o é para uma criança em idade escolar
onde a atividade tem um sentido de uma redescoberta pessoal dos conhecimentos
a conquistar, fazendo que esta atividade incida sobre a reflexão
e a abstração.
- A segunda é crença
na origem sensorial do conhecimento: ele seria obtido através
de um processo figurativo que fornece uma espécie de cópia
fiel, em percepções ou em imagens mentais, do fenômeno.
- A terceira é uma
espécie de indiferenciação dos tipos de conhecimentos
resultantes da experiência. Estes conhecimentos podem ser de
dois tipos: o de natureza física, onde o conhecimento é
abstraído dos objetos através da ação
sobre os mesmos (da transfomação, da dissociação
e da variação dos fatores, etc.) e não extraídos
por uma cópia figurativa. Como por exemplo, uma pedagogia fundada
na imagem, mesmo se aparentemente enriquecida pelo dinamismo de um
filme ou com recursos de simulação gráfica, não
é adequada para a formação dos conceitos operatórios
jã que a inteligência não pode se reduzir às
imagens. Caso quizessemos fazer uma comparação, a inteligência
poderia ter analogia com o motor ou o programa computacional que garante
o desenrolar das imagens e mais ainda aos mecanismos cibernéticos
que pela lógica interna, pelos processos autocorretores e auto-reguladores
determinam um tal desenrolar.
4. O
Ambiente de Aprendizagem LOGO
A interação
com a linguagem LOGO de programação é definida
como um ambiente de aprendizagem quando estão presentes
algumas características decorrentes do paradigma teórico
anteriormente discutido. O termo ambiente é aqui entendido como
uma situação onde se propicia o incremento das possibilidades
de interação, de explicitação, reformulação
, de criação de "teorias" através da ação,
da operação e mesmo da construção de sistemas
simbólicos diferenciados. As características que tornam
possível a criação de um ambiente de aprendizagem
utilizando a linguagem LOGO são definidas por meio de três
postulados:
Postulado 1: A APROPRIAÇÃO
ATIVA DA INFORMÁTICA PELO SUJEITO
Diferentemente dos objetos
e artefatos que povoam o cotidiano dos sujeitos o computador oferece
uma nova possibilidade de interação com o homem. A linguagem
artificial oportuniza uma espécie de "diálogo" com a máquina.
A linguagem LOGO foi concebida para funcionar como um "objeto para pensar
com" (Papert, 1981) pois para fazer com que a máquina execute
qualquer procedimento o sujeito que a programa deve escolher os comandos
necessários bem como a relação entre eles, dentro
de uma estrutura de execução. Para conseguir tal organização
o sujeito necessita explorar, testar e transformar várias formas
de organização simbólica.
Programar em LOGO constitui-se
em uma amplificação da representação mental.
Neste sentido Battro (1986) afirma que é a possibilidade de explorar
(no sentido da ação e da operação) que cumpre
uma "função protética" do raciocínio. Esta
função não é observada quando o sujeito
tem acesso somente como usuãrio de programas pré-definidos
pelo professor onde o interesse educacional é a manipulação
de informações sem o conseqüente acesso a sua organização.
A atividade de organizar procedimentos, de descrição do
funcionamento, de reflexão sobre os erros, de transformação
é a que oferece um objeto para a manipulação das
representações.
Postulado 2 - A FUNÇÃO
DE LUDICIDADE
Um ambiente de aprendizagem
constitui-se em um convite para aprender. Piaget (apud Piers, 1977)
afirma que as crianças deveriam ter condições para
fazer sua própria experimentação e sua própria
pesquisa. Tal experimentação contudo, implica em uma certa
ludicidade, um interjogo dos recursos internos do sujeito (recursos
estes tanto afetivos quanto cognitivos, estéticos, éticos,
etc.) com a natureza da tarefa, os objetos do ambiente, as interações
com outros sujeitos. Erikson (apud Piers, 1977) caracteriza tais procedimentos
como "jogos construtivos" que proporcionam ganhos cognitivos mas também
oportunizam na criança, um impulso expressivo para recapitular
e assim reinventar sua própria experiência e descobrir
onde ela pode levar. Estes aspectos também foram levantados por
Papert quando fala no construcionismo, isto é, do envolvimento
da totalidade do sujeito enquanto construtor de algo.
Que características
deve possuir um ambiente para promover esta ludicidade? Os estudos deste
projeto identificavam o que parece ser a "função de ludicidade"
nas respostas dos sujeitos tanto para os desafios cognitivos, quanto
para os desafios expressivos da atividade de programação.
A atividade é espontânea:
a criança mostra-se livre de cuidados para construir e para reinventar
seus projetos, para receber e para responder a desafios, para manifestar
seu mundo interior.
Mas esta espontaneidade encontra
no sistema os limites que também precisa para a reestruturação
de seu funcionamento inadequado (tanto em nível da reformulação
de "teorias" cognitivas quanto de seus próprios sentimentos sobre
o aprender).
As possibilidades de escolha
que o ambiente oferece, bem como, os limites que coloca, são
definidos tanto pelas condições da linguagem artificial
quanto pelas intervenções do educador ou do terapêuta.
Postulado 3 - O PROFESSOR
COMO POSSIBILITADOR DA APRENDIZAGEM - ASPECTOS DE UMA METODOLOGIA DE
INTERVENÇÃO
Nos estudos realizados no
LEC, observamos que há diversas possibilidades de intervenção
do professor. Estas intervenções podem, tanto reduzir
como incrementar, a construção de novas aprendizagens
neste ambiente.
Existem 3 níveis de
conhecimentos que podem ser construídos neste ambiente: o conhecimento
de programação; o conhecimento do conteúdo que
está sendo programado e o conhecimento matético. Frente
a cada um deles a intervenção do professor assume características
diferenciadas.
a) O conhecimento sobre a
linguagem de programação:
A linguagem de programação
LOGO é constituída por um conjunto de palavras que caracterizam
os conceitos de base. Estas palavras são as primitivas (comandos
e operações).
- A sintaxe permite
- a manipulação
de alguns objetos, tais como a tartaruga, as palavras, as listas.
A execução das instruções pode ser feita
de dois modos: pilotagem e procedural.
O conhecimento sobre as primitivas
e sobre a sintaxe LOGO é de natureza arbitrária e, portanto
não pode ser abstraído pela atividade exploratória.
É preciso que seja informado ao sujeito.
- Mas como poderá
isto ser feito? Será necessário uma hierarquia de comandos?
Podemos organizá-los a partir de um critério de dificuldades
crescentes? É necessário definir quantos comandos novos
podem ser trabalhados em cada sessão? Nada disso! Quem define
é o sujeito. O professor somente oferece uma informação
sobre a linguagem de programação quando ela for necessária
ao desenvolvimento de um projeto no qual o sujeito esteja autenticamente
interessado. A informação
- deve ser oferecida
- dentro de um contexto
significativo. Uma informação isolada não tem
sentido para o sujeito.
Obs. nº 1 - Pau (6,8)
Após uma sessão onde explorou o teclado, diferenciando
letras, números e outros sinais, aponta a tartaruga e diz: "O
que é?"
Exp: "O que tu achas?"
Pau: "Parece uma tartaruga!
Como ela se mexe?"
Exp: "Como ela poderia se
mexer
Pau: "Andar para cima (se
refere a andar para a frente)."
Exp: "Experimenta com estas
(indica um cartão com o comando pf)."
Obs. nº 2 - Jan (8,4)
após desenhar um retangulo de 100 x 30 e colorir de preto, que
para ela representava uma rua pergunta: "Como faço o risco no
meio? (Referindo-se à linha central descontínua)."
Exp: "Como tu achas que é?"
Jan: "Ah! Já sei,
tem que mandar ela riscar, não riscar, riscar ... mas tem que
trabalhar muito!"
Exp: "E se tu mandasses o
computador fazer todo este trabalho?"
Jan: "Como?"
Exp: "Se eu quizesse que
tu escrevas muitas vezes a palavra gato, como eu te diria?"
Jan: "Escreva muitas vezes
gato!"
Exp: "Para o computador eu
posso dizer REPITA tantas vezes riscar e não riscar."
a) O conhecimento sobre
o conteúdo que está sendo programado:
Este conhecimento diz respeito
ao conteúdo do projeto. Por exemplo, se o projeto do sujeito
é o desenho de uma casa, um dos conteúdos trabalhados
poderá ser o desenho das formas geométricas do quadrado
e do triângulo. As propriedades destas figuras (tais como a igualdade
dos lados, o valor dos ângulos, etc.) são conceituações
que necessitam ser construídas pelo sujeito através de
sua atividade de exploração, construção,
reconstrução e de programação.
- Qual seria o papel do
professor se, neste caso, ele não é a fonte de informação?
O professor assume o lugar da
- "função
da ignorância". Ao não fornecer a informação
pronta o professor colabora para que o sujeito parta para a sua construção.
Colocar-se na função da ignorância não
significa colocar-se na "função do silêncio".
O
- professor necessita
- intervir no sentido de
abrir novas possibilidades para que o sujeito explicite sua
conceituação do conteúdo que está programando;
teste-a; e, se for o caso, busque preencher as lacunas ou
abandone a teoria inadequada reformulando-a.
O primeiro pressuposto para
assumir esta função é o conhecimento, por parte
do professor, dos processos de raciocínio em funcionamento no
sujeito psicológico (diferenciando-o do sujeito "ideal" da teoria),
a partir da compreensão destes processos em nível teórico.
Este suporte teórico irá proporcionar a
- construção
de hipóteses do funcionamento intelectual do sujeito através
da observação de sua atividade de exploração
e de suas tentativas de resolução dos problemas. Com
estas hipóteses o professor pode formular um procedimento de
intervenção.
Sua intervenção
pode assumir diferentes características: levar à exploração:
para que o sujeito experimente de diferentes maneiras os recursos do
sistema explorando livremente sua "teoria", inclusive através
do ensaio e erro; solicitar justificativas: onde a criança
é levada a explicar o porquê de sua "teoria", coordenando
as antecipações com as retroações buscando
justificar a validade ou não de seus procedimentos em relação
à sua "teoria".
Obs. nº 3 - Pri (6,5)
- faz um procedimento ao
qual nomeia "boneca" e tecla: bna lendo uma sílabas
para cada letra: "bo-ne-ca".
Exp: "Se eu quizesse trocar
o nome do desenho para banana como eu escreveria?"
Pri tecla aaa e apaga.
Exp: "Por que apagastes?"
Pri: "Ia ficar tudo a,
tecla ana.
Exp: "E se eu quizesse chamar
bonita?"
Pri tecla bna.
Exp: "Como você escreveu
boneca?"
Pri procura a sua escrita
para boneca ... "É boneca que tá errado e tecla boa.
Exp: "Por que mudastes a
boneca?"
Pri: "Ia ficar bonita!"
c) O conhecimento matético:
Se refere à possibilidade
de tomada de consciência, por parte do sujeito, da forma como
ele compreende e organiza seu próprio raciocínio. Como
também a conscientização de sua posição
psicológica frente ao aprender (medo do fracasso, sentimento
de incapacidade, autonomia, confiança em sua capacidade de resolver
problemas, etc.) Frente a este conhecimento o professor realiza diferentes
intervenções: propõe confrontação
quando o sujeito é levado a uma reflexão crítica
do seu modo de raciocinar e de resolver os problemas e, no caso de uma
abordagem terapêutica, poder intervir no sentido de assinalar
ou apontar as condutas e sentimentos do sujeitos que são expressados
diante das diversas situações de aprendizagem.
Obs. nº 4 - Gra (7,2)
após teclar os numerais de 1 a 100 diz: "Eu nunca pensei que
sabia até 100!"
Exp: "E depois do 100, terminam
os números?"
Gra: "Não, continuam!"
Exp: "E qual será
o número que continua?"
Gra: "É o cento e
um" tecla 1001.
Exp: "Mas eu pensava que
depois do 100 vinha o 200!"
Gra: "Tem 200, só
que demora!"
Exp: "Demora?"
Gra: "Tu não vê
que depois do 60 vem o 61 e depois do 90 é o 91! Tem que ir de
1 em 1."
Obs. nº 5- Jua (8,4)
está testando o programa "corrida" (S_TAT 6 MUDEVEL 6789) e verifica
que a tartaruga não anda.
Exp: "Por que serã
que não funciona?"
Jua: "Porque é uma
fracassada!"
Exp: "O que é ser
fracassado?"
Jua: "É que ela tenta
e dá errado!"
Exp: "O que ela está
tentando?"
Jua: "Andar ligeiro!"
Exp: "Quanto mandastes ela
andar antes?"
Jua: "Aquele (mostra 6789)".
Exp: "E a outra vez que ela
não fracassou, quanto mandastes?"
Jua: "Estes (apontando o
6 e o 7 no teclado)."
Exp: "É a mesma coisa
ou são diferentes?"
Jua: "Este é maior
(6789) porque tem mais números!"
A ausência destas características,
ou sua substituição por intervenções mais
diretivas tais como a indução, o juízo de valor,
a mera repetição com fins de exercitação,
a não aceitação da produção espontânea,
etc. podem anular as possibilidades de aprendizagem que o ambiente LOGO
oferece.
3. Referências Bibliográficas
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y aprendizaje especial. El Ateneo, Buenos Aires, 1986.
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de Piaget. Cultrix, São Paulo, 1983.
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e inteligência. Cortex, São Paulo, 1989.
4. INHELDER, B. Aprendizagem
e estruturas do conhecimento. Saraiva, São Paulo, 1977.
5. PAPERT, S. Desafio
a la mente. computadoras y educación. Galápago, Buenos
Aires, 1981.
6. ---------. A critique
of technocentrism in thinking about the school of the future. Conferência
no Children in an
- information age. Sofia,
Bulgaria, 19 maio, 1987.
7. PERRET-CLERMONT, A. Desenvolvimento
da inteligência e interação social. Instituto
Piaget, Lisboa, 1978.
8. PIAGET, J. Biologia
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da inteligência na criança. Zahar, Rio, 1982.
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11 RAMOZZI-CHIAROTINO, Z.
Psicologia e epistemologia genética de Jean Piaget. EPU,
São Paulo, 1988.
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